Archive for the ‘Análise’ Category

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(1991) Nirvana – Nevermind

Setembro 2, 2009

Nirvana - NevermindNotas

Kee-a [ 9,5 ] Dr. Zappia [ 10 ]  Rogues [ x ]

Kee-a: Falar de Kurt Cobain está muito na moda ultimamente. E existe algum motivo especial pra isso, fora o aniversário de sua morte? Sim, existe. Como bem definiu a revista Rolling Stone certa vez, Kurt Cobain é talvez o último grande herói do rock que este mundo (e o show business) conheceu. O álbum que será analizado aqui é algo quase intocável. Seria o “My Precious” de muita gente. E com toda certeza é uma obra prima.

“Nevermind” foi o responsável pela explosão do Nirvana por todo o mundo, ressurgindo inclusive o rock de manifestação de pensamento (e protesto) através da música. O movimento grunge que provavelmente nunca sairia de Seattle ganhou força não só na América mas em países que certamente nunca um som parecido com esse seria produzido (não por falta de capacidade, lógico, mas por questões culturais).

O álbum conta com um repertório fino. Difícil até citar hits do álbum, uma vez que praticamente o CD inteiro se tornou um hit. Certamente que “Smells Like Teen Spirit” e “Come as You Are” se tornaram aqueles exemplos de músicas que tanto tocaram que chegam até a irritar, algo como o “Fenômeno Ana Júlia”, mas obviamente, em escalas diferentes. Um pecado é que a desconcertante “Endless Nameless” (faixa oculta) não esteja presente em todas as versões do trabalho.

Letras subjetivas e ambíguas, melodias sempre simples e marcantes, com distorções e microfonias sempre presentes. Aliás, talvez seja pelo não exagero destas últimas que fãs e críticos mais chatos costumam torcer um pouco o nariz para este álbum.

Certamente, Nervermind foi um dos melhores CDs da história. Embora, em minha opinião pessoal, o álbum “In Utero”, que já foi analisado pelo Tímpanos, seja ainda melhor e mais a cara da banda.

Dr. Zappia: Ok. Todo mundo conhece o Nevermind – pelo menos qualquer ser inteligente que tenha vivido no planeta Terra nos últimos 18 anos. Os 4 acordes de Smells Like fazem qualquer público delirar de satisfação e a linha de baixo de Come as you are é o pote de ouro dos aprendizes de violão. No mais, parece que o Kee-a quer a análise só pra ele. Faz uma monografia sobre o disco então. Ah, ia esquecendo já: é nota 10 mesmo.

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(1993) Nirvana – In Utero

Agosto 7, 2009

Nirvana - In UteroNotas:

Kee-a [ 10 ] Dr. Zappia [ 5,0 ]  Rogues [ x ]

Kee-a: Se existe um Álbum que represente a força do som de Seattle, então ele está aqui: seja bem vindo ao “In Utero”. Com o título original “I Hate Myself and Wanna Die” (que acabou sendo encarado como pesado demais, até mesmo para a Geffen) o 4º CD do Nirvana tinha a difícilima missão de tentar superar o clássico dos clássicos “Nevermind” (uma vez que “Incesticide” foi um trabalho abertamente B-side). E na simplória opinião deste que esta escreve, conseguiu.

In útero é forte. Suas letras são explosivas. Suas canções são berradas. Os gritos são furiosos. E paradoxalmente, é um álbum totalmente “belo”, na melhor acepção da palavra. Todas as faixas são momentos obrigatórios aos apreciadores do grunge. E sim, um grunge bem gravado, o que fez com que alguns xiitas reclamassem (à toa).

Clássicos como “Pennyroyal Tea”, “Heart Shapped Box”, All Apologies cujas melodias infectam nossa cabeça, a gritadíssima “Milk it”, a polêmica “Rape Me”, a bizarra “Gallons Of Rubbing Alcohol Flow Through The Strip” (só existente nas versões internacionais do álbum, gravada com Kurt claramente bêbado e que, segundo alguns, foi toda gravada em improviso) mostram claramente que Kurt Cobain poderia nos presentear cada vez mais com músicas ainda mais pertubadoras e, apesar de harmonicamente simples, diferente de toda a mesmice que nossa geração MTV foi obrigada a engolir por tantos anos.

Dr. Zappia: Vou contar pra vocês uma breve história do desenvolvimento do ser humano: você nasce, ganha um disco da Xuxa, depois compra um disco dance estilo “Transamérica Super Hits”, depois se envergonha dele e compra um CD do Nirvana. Depois você cresce e…

De qualquer forma, com músicas inspiradas no barbeador de Kurt Kobain, In Utero é um dos melhores álbuns do Nirvana, no entanto, na minha humilde opinião, não tem o mesmo impacto de Nevermind. Algumas faixas que eu recomendo: Frances Farmer Will Have Her Revenge on Seattle e Dumb.

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(2009) Franz Ferdinand – Tonight: Franz Ferdinand

Agosto 5, 2009

Notas:

Dr. Zappia [ 8,0 ] Kee-a [ 8,5 ] Rogues [ x ]

Dr. Zappia: Lançamento de 2009 do quarteto indie de Glasgow que aderiu de vez ao som comercial, por paradoxal que pareça. Mas enfim, Tonight: Franz Ferdinand soa 2009. A banda traz essa tendência, que eu acho bem bacana, de incorporar elementos eletrônicos novos ao rock (novos, pow! Não estou falando de sintetizadores) especialmente nesse estilo que se convencionou chamar de indie rock e que não tem mais nada de indie.

Ouvindo aqui, percebi que o disco tem aqueles momentos que não agradam tanto, mas são raros. Já a música que abre o repertório (Ulysses) é empolgante, e tem cara, estilo, cheiro de Franz Ferdinand. Além dessas, vale destacar as faixas No You Girls e Lucid Dreams, essa última que é a festa da uva de Andradas, por conta da mistura de estilos musicais que funciona tão bem com essa banda.

Kee-a: Tonight: Franz Ferdinand é um belo CD de superação da “Zica do Segundo Álbum”. Depois do fodíssimo 1º CD, onde é difícil citar uma música que não seja de “muito boa” pra cima, fomos agraciado com um segundo CD bom, mas que pelo excesso de experimentalismo é bem difícil de mastigar. Felizmente “Tonight” consegue ser ainda experimental, mas muito agradável de ouvir. Canções como “Lucid Dreams” que parece nos fazer uma brainwash, “Turn It On” que soa bem “yeah yeah yeah, uhu!”, “Ulysses” a pop da vez, e “What She Came For” que gruda, tornam o álbum digno do próprio nome da banda. Recomendado fortemente aos seus tímpanos!

Rogues:

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(1987) U2 – The Joshua Tree

Junho 23, 2009

Notas:

Rogues [ 10 ] Dr. Zappia [ 7,5 ] Kee-a [ 8,5 ]

Rogues: Meninas gritando desesperadamente. Choros incessantes. Calcinhas molhadas. Não, isto não foi o que moveu o u2 nessa obra. A banda estava empolgada e disposta a trabalhar arduamente. Não foi por menos. Resultado fanstástico!! The Joshua Tree emplacou como os que alguns chamam de “O melhor do U2”; o que não é pouco.

Assumiram o lado espiritual. Prova disto é a música gospel [Tomada de fôlego on]: “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” [Tomada de fôlego off ], dentre outras.

O disco também reúne excelências como Where the streets have no name, With or without you e Bullet the blue sky, que tem uma pegada incrível e que me emociona toda vez que ouço; algo libertador.

Nota 10 sem titubear. Tudo bem que o Dr. Zappia e o senhor Kee-a já estão me enchendo o saco e dizendo que eu sou muito bonzinho e blá blá blá. Mas não consigo achar uma brecha neste álbum que mereça atenção crítica. É a grande eternidade produzida pelo U2!

Dr. Zappia: O disco realmente pode ser considerado o melhor do U2. Eu gosto muito de U2 mas eu tenho que reconhecer que “o melhor do U2” não tem nada de espetacular. O mérito deles foi realmente a experimentação nos efeitos, sem muito apelo aos solos dramáticos de guitarra. A ideia era fazer algo diferente e ser notado. Nessa linha, saíram “With or Without You”, “Bullet the Blue Sky” (regravada furiosamente pelo Sepultura), canções que hoje soam como músicas batidas, todo mundo conhece, gosta. Mas pra época era um som estranho – segundo a própria banda no DVD.

Enfim, se você se regozija incontrolavelmente com músicas pop, “Joshua Tree” é uma boa opção, embora eu, pessoalmente, recomendaria o retorno comercial da banda com “All that you can’t leave behind”. Nota 7,5.

Kee-a: antigamente o U2 era uma banda e não os salvadores do planeta Bono-Terra. É impossível ouvir U2 hoje sem ficar contaminado pelo fenômeno Jesus-Savior-Vox do vocalista. E por isso mesmo, com toda a certeza digo que Joshua foi o melhor CD (ok, na época vinil) que o U2 já produziu. Canções que tornaram-se baladinhas que, como bem lembrou nosso amigo Zappia, na época não eram nada baladas, mas uma coisa bem alternativa.

Mas o grande trunfo deste álbum é a simplicidade que vence a complexidade dos arranjos. Muito, mas muuuitos efeitos, câmaras de eco, reverbação exagerada… bem vindo aos anos 80; se for pecar, peque pelo excesso. E deu muito certo. Aumentou a banda ao patamar de celebridades do rock mundial.

O U2 estava no caminho certo, mas ainda não tinham achado o que estava procurando… (ok, tosco esse trocadilho ^^ )

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(2000) COLDPLAY – Parachutes

Junho 23, 2009

Notas:

Rogues [ 8,0 ] Kee-a [ 8,0 ] Dr. Zappia [ x ]

Rogues: Este álbum fez com que a banda, legitimamente inglesa, estourasse no ano de 2000 com seu som demasiadamente melódico. Além de falsete, os ‘caras’ até sabem fazer algo melhor. Não os confundam com radiohead, por favor; acreditem, tem gente menos avisada que confunde.

Com a voz chorosa do multi-instrumentista de Chris Martin, que tem um talento incrível de fazer cara de menino virgem, os ingleses do coldplay emplacaram sucesso mundial com a música “yellow”; que é cheia de vida.

Esse álbum chegou a vender 5 milhões de cópias, fato que mostra que a banda veio com tudo.

[momento TV Fama on] Sem contar que as mulheres adoram esse som “folk-melei-a-cueca”, que deu resultado, inclusive, com o próprio Cris, que, além de rico (o que já bastaria), casou-se com a linda atriz Gwyneth Paltrow [momento TV Fama off].

Kee-a: Parachutes foi o CD que fez com que o Coldplay não mais fosse encarado como um “mamãe-quero-ser-radiohead”. Porque convenhamos, até então, era! Este álbum mostra uma banda evoluída, com letras mais profundas, ainda piegas, mas completamente envolvente, daquele jeito que lhe coloca como se estivesse numa bolha (alguém se lembra dum comercial do Walkman em que o sujeito ficava dentro de um abolha enquanto ouvia música? É exatamente daquele jeito)

“Everything is not lost”, “Yellow”, “Trouble”, e tantas outras músicas que você  já deve ter ouvido em diversos filmes, seriados, comerciais, e tudo mais que você possa imaginar estão presentes aqui. Um ótimo CD! Que só nos deixou pensando “Deus, o que virá depois”, e tivemos “A Rush of Blood to The Head”, quase tão bom quanto e na sequencia… inacreditavelmente, tivemos um lixo chamado “X&Y”.

Mas tá OK, porque depois veio “Viva La Vida or Death And All His Friends” para mostrar que o Coldplay é hoje uma das melhores bandas na ativa do mundo.

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(1991) Pearl Jam – Ten

Junho 19, 2009

Disco condecorado pela equipe Tímpanos

Notas:

Rogues [ 10 ] Dr. Zappia [ 10 ] Kee-a [ 9 ]

Rogues: Caras sujos, típica roupa grunge-festa-junina-não-ligo-pra-moda, cabeludos, coturnos, barba por fazer, e que fazem as mulheres sentirem orgasmos múltiplos com o mesmo profissionalismo que um galã de hollywood consegue.

Tirando esses fatores irrelevantes (ou nem tanto), os caras de Seatle, liderado pelo iluminado Eddie Vedder, chegaram na década de 80 e, com este memorável álbum, lançado no início dos anos 90, atingem o posto nota ‘ten’ (não resisti o trocadilho).

Disco memorável recheado de músicas que entraram para o rol do melhor da música mundial, cito aqui Black, Jeremy, Even Flow, a inesquecível Alive, só pra dar gosto. Contenham a ovulação.

Falar desse álbum é falar um pouco da história do rock (ou do grunge para os que gostam de rotular tudo). Lançado despretensiosamente (prova disto é o encarte bizarro que da “ar” de um encarte pirata, sem contar a não tão profissional gravação, como dizem alguns críticos), os caras viraram os príncipes do grunge; não tirando nunca o posto de Neil Young, grande mestre norteador da banda.

Músicas fortes, inesquecíveis, belas e marcantes, fizeram um pouco do comércio musical algo mais dinâmico e novo. Tá, eu sei, deu pra perceber que eu amo esse som.

Dr. Zappia: Esse Golden Badge é a condecoração máxima do Tímpanos, prêmio dado aos álbuns que recebem votação acima de 9,0 nos comentários de todos os 3 críticos wannabe (Vossas Senhorias Rogues e Kee-a[bo]). Que maravilha.

Tem gente que acha que Ten é uma coletânea.

E sobre a qualidade da gravação, os próprios integrantes do Pearl Jam já manifestaram o desejo de remixar o disco (leia-se mixar de novo, o que não tem nada a ver com batidas tecno/dance) pra tirar o “excesso de reverb”. Nossa, frescura do #%$&*#@. Esse é o típico comentário do babaca que faz uma obra prima e diz: “ah, acho que tem um defeitinho aqui…” ahzivude né? NEH?

Parar com a falsa modéstia e aceitar. Nota 10, com direito ao Badge PORQUE EU JÁ SEI que o Kee-a vai dar 9 ou 10 (até porque ele quer estreiar logo o Badge hehe).

Kee-a: Meu amigo Dr Zappia não me conhece há tanto tempo mas me conhece o suficiente para saber que nunca daria uma nota menor que 9 para Ten. Mas 10 também não dou. Explico:

Quando o Grunge era apenas uma vertente de “gente que toca mal e canta de um jeito estranho” para a mídia, tivemos duas bandas que provaram para o mundo que isto não condizia com a verdade. Ok, havia (e existem) várias outras importantes e muito boas, mas para a geração MTV, Pearl Jam e Nirvana certamente eram os únicos imperadores.

Titio Eddy Vedder com Ten mostrou o que é o Grunge e que suas melodias simples tem força, e muita! Berre a angústia de “Jeremy”, cante o hino “Alive” (e que hino!) e se renda a estranha delicadeza de “Oceans”. Um álbum fantástico!

“Então por que não 10?” você fã (e chato! Todo fã de qualquer coisa é…) me pergunta. “Ten”, me desculpem os xiitas, não é 100% , algumas faixas são o puro e simples grunge como qualquer outro, são seus momentos de “quase lá”. E não há nada ruim nisso. É um ótimo manifesto!

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(2002) The Libertines – Up The Bracket

Junho 18, 2009


upthebracketNotas:

Kee-a [ 10 ] Dr. Zappia [ x ] Rogues [ x ]

Kee-a: Ano 2001: não havia espaço para rock no cenário internacional. Ao menos, não o rock tradicional. Se por um lado o Nu (ou “new” como queiram) Metal e sua mescla com o Rock Industrial trouxe bandas inovadoras como o Rammstein, por outro gerou uma infestação de “rock-hip-hopado” que se alastrou pelos continentes numa contaminação que encheu as rádios de lixo. Se o Linkin Park era uma bandinha pop, ao menos era original. (se não cometesse a besteira de só ter feito Ctrl C e Ctrl V nos álbuns sucessores). Foi então que surgiu na mídia um salvador: The Strokes.

Os Strokes lideraram o renascimento do rock britânico, e ironicamente era uma banda americana! Mas o maior mérito dos Strokes não foram suas músicas! Foi sua liderança na ressurreição conjunta a reinvenção do rock no resto do mundo. E nesse ponto, a criatura superou o criador. Surgiu na Inglaterra The Libertines.

O som do Libertines facilmente se diferencia do som dos Strokes. Então, por que os citei com tanta importância? Simples, porque se não houvesse a revolução (ou diria a re-volta) impulsionada por eles, bandas como a dos libertinos nunca conseguiriam atingir o espaço que de fato ocuparam.

“Up Th Bracket” é facilmente o melhor trabalho de Indie Rock desta década. E vou além: Pete Doherty e Carl Barat são (ou, infelizmente, foram) os melhores co-autores da história da música contemporânea, comparável somente a dupla Mcartney e Lenon.

Com poesias que facilmente se encaixariam em qualquer outro estilo, The Libertines conseguiu unir poesia, música e o glamour boêmio. Uma das primeiras bandas que, já sob a chancela de uma grande gravadora, disponibilizavam suas músicas antes para download gratuito, e só posteriormente as vendia em álbuns.

Destaque especial para “Boys in The Band”, “Death on The Stairs , “The Good Old Days”,” e o hit “Up The Bracket”.

Poderia me alongar em infinitas tentativas de explicar este som, mas já me alonguei demais nesta análise e deixarei isso com Rogues e Dr. Zappia (mesmo sabendo que, muito provavelmente, não concordarei com suas análises).

Por fim: esqueça todas as merdas que você já leu ou ouviu sobre Pete Doherty e escute este Álbum.